A falência da gestão no Guarani

A falência da gestão no Guarani

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A confusão envolvendo Matheus Costa é apenas mais uma página no livro de vergonhas em que se transformou o Guarani Futebol Clube. Não é o caso de avaliar o trabalho do treinador em si. Isso é irrelevante para o ponto central.

O fato é que a diretoria e a coordenação de futebol confiaram. Confiaram tanto que, mesmo após o fracasso na Terceira Divisão, mantiveram o técnico para 2026 — justamente o ano em que a principal vitrine do clube, o Paulistão, foi enxugada e passou a não admitir margem alguma para erros. Nenhuma.

O campeonato começou e o que se viu foram duas partidas desastrosas, mesmo com os reforços alardeados. A sensação, para quem acompanha minimamente o Guarani, é desconfortável: o time não evoluiu; piorou.

Diante disso, a reação da torcida foi absolutamente previsível. Uma torcida cansada, exaurida, que cobra — e cobra com razão — uma performance que ao menos respeite a história do clube. E, como quase sempre acontece em ambientes desorganizados, o alvo escolhido foi o mais frágil da cadeia: o treinador que recebeu reforços, teve um mês de trabalho e, quando a vida real começou, apresentou um time sem alma, sem padrão e sem resposta.

A imprensa fez coro. Questionou o trabalho, a continuidade, o planejamento. Até aí, nada fora do script. O ponto central vem depois.

A direção do Bugre tinha duas opções muito claras. A primeira era bancar o treinador, sustentar a decisão tomada meses antes e assumir o risco de um naufrágio — defendendo, inclusive, suas próprias convicções. Era a opção mais corajosa. E aqui vale lembrar: coragem e burrice são separadas por uma linha tênue, e só o resultado final revela qual trilha foi escolhida.

A segunda opção era a mais fácil. Demitir o técnico para tentar apagar o incêndio, transferindo para uma única pessoa todo o peso de um planejamento ruim, jogando fora meses de preparação e contratações caras que, inevitavelmente, seriam reavaliadas por outro profissional. É a opção covarde. E também a mais comum no futebol brasileiro.

A direção escolheu o caminho mais fácil. Mas não contava com um detalhe essencial: o investidor.

A reação escancarou o óbvio que muitos fingiam não ver. O investidor mostrou-se mais poderoso do que qualquer membro da executiva ou da direção técnica. O técnico foi demitido — e, logo em seguida, desdemitido. Matheus Costa fica.

O episódio não é apenas constrangedor. Ele expõe a bagunça generalizada no Guarani, a inanição da sua direção e a completa ausência de autoridade interna. Mais do que isso, traz à tona uma relação estranha, nebulosa e perigosa com esse parceiro comercial, que opera acima de qualquer instância do clube.

O Guarani coleciona vexames e derrotas ao longo deste século. Não apenas dentro de campo, mas fora dele. E, a cada nova decisão, consegue se apequenar um pouco mais.

É triste assistir ao clube definhando como um paciente terminal, entregue às mãos de médicos incompetentes. O Guarani hoje não precisa de milagres. Precisa de cuidados paliativos — para aliviar a dor, preservar alguma dignidade e respeitar o torcedor que ainda insiste em amar o que sobrou.

Desculpem o tom catastrofista. Mas, honestamente, já não me resta qualquer esperança.

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